Terminei hoje, no ônibus. Costumo ler bastante no transporte público, já que passo quase duas horas do meu dia viajando. Enquanto lia as últimas frases, tive aquele sentimento triste e alegre que acontece sempre que termino um bom livro. Alegre, porque é um bom livro, que valeu a pena ser lido. Triste, porque é um bom livro e a história acabou. Deu vontade de ler mais. Talvez, de novo.
O nome do livro é "Muito longe de casa - memórias de um menino-soldado", de Ishmael Beah. O autor conta sobre sua vida quando a guerra civil estoura no seu país, a Serra Leoa, e como ele foge da guerra e, depois, é forçado a lutar ao lado dos militares. Tudo isso acontece quando ele ainda é um adoslescente novo. É uma história bastante pesada, porque entra em detalhes sobre a guerra, as mortes e os sentimentos dele em meio a toda aquela loucura.
Como disse a amiga que me emprestou o livro, "tem horas que tu tem que parar de ler e pensar que ele escreveu a história", porque a gente pensa que ele pode não sobreviver. Tem algumas partes engraçadas, mas, em geral, é bem triste.
Outra coisa que me fascinou, foi as descrições sobre a cultura. Valoriza-se muito a família, o tempo que se passa com ela, também a natureza, as histórias, a própria cultura. Ele conta que gostava de observar a lua. Daí, eu fiquei pensando quando é que eu paro pra observar a lua, as estrelas ou mesmo as nuvens? Não que eu nunca tenha feito isso, mas posso contar nos dedos quantas vezes foram.
Acabei ficando triste por todas as coisas que acontecem naquele país, na África, aqui no Brasil e em tantos outros lugares. Por outro lado, fiquei feliz por alguém ter se encorajado a escrever sobre isso. Acredito que foi necessário muita coragem, pois ele mesmo comenta no livro que não gostava de falar sobre seus anos como soldado por causa de todas as lembranças que lhe traziam. Não deve ser fácil escrever sobre uma coisa que causa dor.
Enfim, fica a sugestão de leitura para que, como eu, gosta de ler um bom romance no ônibus, para quem gosta de história, de histórias de guerra, de histórias reais ou, simplesmente, para quem se interessou.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
sexta-feira, 7 de maio de 2010
MEU CAMINHO
Quando passei por aquele caminho a primeira vez, tudo me era novo e parecia que eu não pertencia àquele lugar. Foi assim das primeiras vezes. Cada pessoa que passava, parecia me olhavam de cima abaixo, sempre tentando descobrir de que tribo eu vinha. Mas, aquele ainda seria meu caminho.
Passei a não perceber mais as pessoas por quem passava, e cada vez o caminho parecia mais curto. Já reconhecia alguns rostos, alguns hábitos, horários... Acostumava-me a ideia de passar por aquelas casas, com aquelas mesmas janelas, sempre vazias, outras fechadas, com aquela única porta aberta, protagonizada por um simples trabalhador.
Logo mais, aquelas pessoas me pareciam amigos. Só que não eram. Não são. Já não percebia as cores diferentes das casas, nem as árvores com seus galhos. Sabia de cor onde podia pisar e quais eram as partes mais fáceis de caminhar. Tudo que passava ao meu lado era um simples filme que ficava rodando de novo e de novo, ao qual eu não prestava mais atenção.
Quando alguém passava por mim, já sabia quem era sem nem levantar o rosto. Reconhecia seus sapatos, seus passos e velocidades. Não as cumprimentava, mas sabia que elas também me reconheciam e eu já fazia parte daquele caminho.
Era o MEU caminho.
Pertencia tanto àquele lugar que, ao encontrar uma daquelas personagens a quilômetros dali, cheguei a sorrir e cumprimentá-la verbalmente. E às pessoas novas que cruzavam, eu dirigia meu olhar, de cima abaixo, imaginando o que elas estariam fazendo ali, no MEU caminho.
Passei a não perceber mais as pessoas por quem passava, e cada vez o caminho parecia mais curto. Já reconhecia alguns rostos, alguns hábitos, horários... Acostumava-me a ideia de passar por aquelas casas, com aquelas mesmas janelas, sempre vazias, outras fechadas, com aquela única porta aberta, protagonizada por um simples trabalhador.
Logo mais, aquelas pessoas me pareciam amigos. Só que não eram. Não são. Já não percebia as cores diferentes das casas, nem as árvores com seus galhos. Sabia de cor onde podia pisar e quais eram as partes mais fáceis de caminhar. Tudo que passava ao meu lado era um simples filme que ficava rodando de novo e de novo, ao qual eu não prestava mais atenção.
Quando alguém passava por mim, já sabia quem era sem nem levantar o rosto. Reconhecia seus sapatos, seus passos e velocidades. Não as cumprimentava, mas sabia que elas também me reconheciam e eu já fazia parte daquele caminho.
Era o MEU caminho.
Pertencia tanto àquele lugar que, ao encontrar uma daquelas personagens a quilômetros dali, cheguei a sorrir e cumprimentá-la verbalmente. E às pessoas novas que cruzavam, eu dirigia meu olhar, de cima abaixo, imaginando o que elas estariam fazendo ali, no MEU caminho.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Novo emprego
domingo, 14 de março de 2010
Alvo
Caíram olhos pesados sobre mim;
sugaram ouvidos atentos,
vomitaram línguas sedentas em mim.
Supuseram pessoas demais sobre o que era
(ou poderia ser)
Beliscaram vozes famintas
por um prato de intriga.
Pesaram sobre mim
olhares amigos estranhos.
sugaram ouvidos atentos,
vomitaram línguas sedentas em mim.
Supuseram pessoas demais sobre o que era
(ou poderia ser)
Beliscaram vozes famintas
por um prato de intriga.
Pesaram sobre mim
olhares amigos estranhos.
segunda-feira, 1 de março de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Como conseguir as coisas
Esta é uma história verídica, contada pela minha mãe, protagonizada por uma amiga dela.
A mulher, já no caixa da loja, com as compras para pagar, pergunta à moça:
- Quanto custa aquele tripé para panelas ali?
- Não está a venda. É para exposição dos produtos da loja apenas. - responde a atendente.
Nossa personagem fica confusa, já que não há um único objeto sendo exposto no tal tripé.
- Mas, não tem nada nele.
- Pois é, mas não está à venda.
Não muito conformada, ela paga suas compras (a prazo) e vai embora.
No mês seguinte, ela volta à loja para pagar mais uma prestação e nota que o tripé continua lá, sem cumprir sua missão de expor alguma coisa. Ela insiste:
- Quanto custa aquele tripé?
- Não está a venda. Ele está aí para exposição dos produtos da loja.
- Mas, está vazio. Estive aqui no mês passado e não tinha nada nele. E continua vazio.
A moça da loja resolve chamar seu colega. Nossa protagonista explica tudo para ele, que decide que o melhor a fazer é chamar o gerente. Mais uma vez, ela argumenta sobre a falta de utilidade do tripé para a loja e a utilidade que ela daria ao objeto em sua casa (guardar sua coleção de panelas de ferro).
O gerente da loja, sem argumentos suficientes e convencido pela cliente, decide ceder à insitência.
Viu? É assim que se faz. Quando eu crecer, quero ser que nem ela.
A mulher, já no caixa da loja, com as compras para pagar, pergunta à moça:
- Quanto custa aquele tripé para panelas ali?
- Não está a venda. É para exposição dos produtos da loja apenas. - responde a atendente.
Nossa personagem fica confusa, já que não há um único objeto sendo exposto no tal tripé.
- Mas, não tem nada nele.
- Pois é, mas não está à venda.
Não muito conformada, ela paga suas compras (a prazo) e vai embora.
No mês seguinte, ela volta à loja para pagar mais uma prestação e nota que o tripé continua lá, sem cumprir sua missão de expor alguma coisa. Ela insiste:
- Quanto custa aquele tripé?
- Não está a venda. Ele está aí para exposição dos produtos da loja.
- Mas, está vazio. Estive aqui no mês passado e não tinha nada nele. E continua vazio.
A moça da loja resolve chamar seu colega. Nossa protagonista explica tudo para ele, que decide que o melhor a fazer é chamar o gerente. Mais uma vez, ela argumenta sobre a falta de utilidade do tripé para a loja e a utilidade que ela daria ao objeto em sua casa (guardar sua coleção de panelas de ferro).
O gerente da loja, sem argumentos suficientes e convencido pela cliente, decide ceder à insitência.
Viu? É assim que se faz. Quando eu crecer, quero ser que nem ela.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Muda
Foi uma experiência muito bacana. No meio do congresso e sem aviso prévio apareceram três pessoas portadoras de deficiência (PPDs): um maneta, uma cega e uma muda. Muitos foram os olhares de confusão que não entendiam o porquê daquilo tudo. Mas, é isso mesmo, nem sempre se sabe porque as pessoas estão assim.
Éramos três pessoas com necessidades especiais vivendo a vida normalmente, experimentando as possibilidades de comunicação e movimentação, observando os olhares alheios e procurando responder as perguntas. Éramos três pessoas que se ajudavam mutuamente.
Pra mim, foi interessante entender um pouquinho quais as dificuldades dos PPDs. As pessoas não conversavam comigo, acho que por não saberem como o fazer. Parece que falta um pouco de interesse das pessoas em aprender a se comunicar quando existe uma barreira. Não sei se por medo ou por preguiça... ou por alguma outra coisa.
E se fosse de verdade, se as pessoas não soubessem que era apenas uma intervenção, seria diferente?
Assinar:
Postagens (Atom)



