quarta-feira, 29 de julho de 2009

Aquele vagão - parte I

Carregava seus livros debaixo do braço e entrava no vagão com, no mínimo, dois deles. Caminhava em cima daqueles pezinhos com seu ar doce de menina encantada. Segurava-se com dificuldade, por causa da altura inadequada da barra para seu corpo miúdo. E perdia-se nas páginas, sempre alheia ao movimento repetitivo do transporte público. Nos dias de verão, o sol batia em seu rosto, fraco ao fim da tarde, obrigando seus olhos a se fecharem levemente, formando suaves rugas pelo rosto. Mesmo assim, não desviava a atenção da história narrada em preto e branco, que lhe causavam ora risos, ora aflição.
Chegou, naquele dia, como sempre, educada, achou o seu lugar e abriu o pesado livro de cores opacas. De onde estava, pude perceber suas feições alteradas e, nos seus olhos, o desconforto da preocupação. O livro pousado em suas mãos parecia não se comunicar como sempre. Seu olhar procurava juntar as letras e as palavras, mas logo se perdia na paisagem passando lá fora. Reconheci sua inquietação apenas por observá-la diariamente e conhecer sua calma habitual. As demais pessoas, sempre tão imersas em seus próprios mundos, não poderiam sequer imaginar.
Outra estação chegou e mais pessoas vieram tomar seus lugares. Aos poucos, o espaço ia-se tornando insuficiente, e o aperto, angustiante. Mas, todo este sufoco não parecia incomodá-la. Eu já não podia vê-la perfeitamente. Não apenas pelo número de braços e cabeças posto entre nós, mas pela aflição que me causava toda aquela gente. Não sabia mais se o livro era cinza ou marrom, se era pequeno ou grosso, nem se ainda estava aberto. Via somente parte do seu rosto, somente seus olhos, nada mais do que o necessário. Seu olhar inquieto no fim de tarde frio foi lentamente me enfeitiçando. Seria uma senhora peculiar do outro lado da rua que chamou sua atenção?

Continua...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Fazendo jus ao post anterior, venho escrever aqui mais de uma semana depois. Tenho duas boas desculpas desta vez (e pode ser que alguém acredite que são boas desculpas): uma casa lotada e uma gripe forte. Mas, o que eu tinha vindo escrever aqui mesmo?
Ah! Sim! Vim deixar este vídeo muito louco. É uma experimentação das palavras, cores, efeitos, música.



Daí, eu pensei que a letra da música "Bem leve", da Marisa Monte, também é uma experimentação da fonética das palavras. Olha só:

Bem leve leve, releve,
Quem pouse a pele em cima de madeira
Beira beira, quem dera, mera mera, cadeira
Mas breve breve, revele
Vele, vele quem pese, dos pés à caveira
Dali da beira uma palavra cai no chão, caixão
Dessa maneira,
Uma palavra de madeira em cada mão,
Imbuia, Cerejeira

Bem leve leve, releve,
Quem pouse a pele em cima de madeira
Beira beira, quem dera, mera mera, cadeira
Mas breve breve, revele
Vele vele quem pese dos pés à caveira

Jacarandá, Peroba, Pinho, Jatobá, Cabreúva, Garapera

Uma palavra de madeira cai no chão
Caixão, dessa maneira

sábado, 11 de julho de 2009

Atualiza este maldito blog

Conforme indicações dos leitores, resolvi criar este prêmio para o meu blog, afinal, ele é realista (o prêmio, não o blog). É o selo "Blog desatualizado" e está aí:



Quem quiser levá-lo para o seu próprio blog, fique a vontade, pois temos que ser, ao menos, realistas. Também, pode dar o selo para alguém que tem um blog e não atualiza, mesmo quando a gente está rogando por qualquer texto novo, num dia chato de trabalho.

Enfim, queria contar que quinta-feira tinha 7 pessoas no ônibus que eu peguei pra ULBRA. Isso contando o motorista e o cobrador. Quase me senti solitária. O bom é que tinha uma guria contando uns causos pro ônibus inteiro ouvir. Ela estava conversando com o cobrador, bem na frente do ônibus, e eu quase fiquei surda com o volume da voz dela. E olha que eu sentei lá no fundo!

Bem, vou indo. Até a próxima. Talvez com alguma coisa interessante.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Blog Dorado



Este blog recebeu seu primeiro prêmio. Tão novinho ele e já, assim, tão querido...
É o prêmio Blog Dorado, e ele recebeu da Carol, do blog que eu chamo "Da janela", neste link: http://fromoutspace.blogspot.com/
O prêmio, além de representar a união entre os blogueiros, homenageia os melhores blogs e tem sua simbologia nas cores azul, que representa paz, profundidade e imensidão; e dourada, que tem a ver com a sabedoria, a riqueza e a claridade das ideias.

(Não concordo muito com essa parte da "claridade das ideias". Sempre me achei bastante confusa.)

E as regras são essas:
- Colocar o prêmio em situação visível ou linká-lo.
- Anunciar através de um link o blog que o premiou.
- Premiar até outros 15 blogs, avisando o blogueiro sobre o prêmio.

As minhas indicações são menos do que 15:
- Morte Súbita
- Para Francisco
- Vida ao vivo
- Scarecrow's Post (que é de desenhos e alguns textos)
- Cesto de Lixo (que foi desistido, mas vale a pena ler o que tem lá)
- KaffeTarias (que está bem desatualizado, mas é bem interessante)
- Monólogo (que eu conheci há pouco tempo)

Foram os blogs que eu lembrei e achei que mereciam o prêmio também (fora os que eu vi que já receberam). Todos eles estão aqui ao lado, na minha lista de blogs legais e amigos. Procura ali e dá uma espiadinha (porque eu ainda não descobri como colocar os links no texto. Alguém sabe?)

Bem, por enquanto é isso.
Até logo e muito obrigada.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Ele era mortal!


Tudo bem que já faz uns dias, mas ainda não me caiu a ficha direito (aliás, tem muitas fichas demorando pra cair...). Foi só quando me disseram que o Michael Jackson morreu que eu percebi que ele era mortal. Eu nunca tinha parado pra pensar nisso. Não que não fosse óbvio, afinal ele também era humano. Era, não era?
Coincidentemente (ou não), meu aniversário foi dois dias depois da morte do rei do pop. O que uma coisa tem a ver com a outra? Nada, só que eu cheguei mais perto da morte. Daí, eu lembrei de uma pergunta que me fizeram quando eu completei 15 ou 18 anos (nunca lembro, só sei que era uma idade marcante socialmente):
- Como tu estás te sentindo mais velha?
E eu pensei:
- Igual. Por que eu me sentiria diferente?
Eu pensei que a gente não sente que está ficando mais velho em uma determinada data do ano. Afinal, no nosso aniversário a gente é só um dia mais velho do que no dia anterior. Só temos que decorar o número novo. Tem outras coisas que fazem a gente se sentir velho, como ver que muitas pessoas que a gente conhece são bem mais novas que a gente. Ou, que a gente conhecia uma criança que agora está na adolescência.
No fim, a gente está mais perto da morte a todo instante. Só que tem vezes que a gente percebe mais.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Página em branco

Acho que todo mundo que costuma escrever passa por isso um dia. Mesmo assim, é uma sensação muito ruim. A folha está ali, te encara desafiadoramente, e nada. Eu chego até a pegar a caneta na mão, mas não aparece nada na folha.
O pior é que agora não é por falta de fatos diferentes ou interessantes. É que eu não consigo terminar o raciocínio ou tirar alguma coisa dali.
O blog do artigo (artigodaruiva.blogspot.com) já está parado há um mês, e não é por falta de assunto, porque já fiz muitas coisas neste tempo.
Só que na hora de escrever, não sai. Empaca e não quer andar. Que coisinha mais chata.
Ao menos, eu notei que não é só comigo que isso está acontecendo. Tem vários outros blogs que eu acompanho que estão desatualizados, ou são atualizados com intervalos maiores.
Claro, estou excluindo a possibilidade de as pessoas não escreverem por falta de ideias, não porque tem mais o que fazer.
Eu tento ler os outros blogs pra ver se tenho alguma ideia bacana, mas não me inspiro muito. Não sei porque. E o pouco que me inspiro, logo morre e, mais uma vez, a folha fica em branco.
Tomara que seja só uma fase.