quarta-feira, 2 de junho de 2010

Pinhão Crú Cozido

A revista Galileu deste mês traz uma reportagem sobre uma gramática nova que o linguista Ataliba de Castilho escreveu. Digamos que é uma gramática da língua brasielira. O autor propõe que todos os falantes da língua são senhores dela. Todas as formas de falar e escrever estariam corretas, porque é como as pessoas se entendem. Ou seja, falar "ceisvão" no lugar de "vocês vão" não teria nada de errado. Na entrevista para a revista, Ataliba diz que "(...) o objetivo das boas gramáticas é desnvolver o conhecimento linguístico armazenado na mente dos falantes (...)".

Eu, que até o final dos meus 14 anos tive aversão de estudar a língua portuguesa, defendo que este estudo é fundamental para entender não apenas os livros e textos, mas, inclusive, a língua falada.

Pergunto-me se o verbo "sifu" (eu mifu, tu sifu, ele sifu, como consta na matéria) será realmente estudado em sala de aula. E se uma criança, como meu primo fez (na parede do meu quarto), escrever "neulugar" (que significa "nenhum lugar"), dirão que está errada ou não. E, de repente, quando ela estiver lendo um livro e se deparar com a palavra "nenhum" ela vai saber o que significa. Estou subestimando a inteligência da criança, mas quantas vezes vocês já encontraram uma palavra desconhecida em um livro, porque, na verdade, a conheciam diferente, com os vícios da língua falada?

Além disso, existem todas as gírias de cada região. Logo logo, teremos oficialmente vários dialetos (ou será que já temos?). Ataliba também defende que todas essas variações (inclusive as da língua falada e escrita) estão certas, "cada uma em seu contexto".

Então, a placa que dá título a este texto está certa em seu contexto? (Desculpem-me de não conseguir tirar uma foto dela ainda). Parece que sim, pois, apesar de ofender a estética e a língua culta, ela se faz entender.

6 comentários:

aline. disse...

na verdade, só não nos fizemos entender quando tu disse "meu quarto", acho que estava querendo dizer "quarto da minha irmã amada que eu estou ocupando até ela querer as coisas dela de volta", acho que foi isso.

Dagmar disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dagmar disse...

Deixando as ocupações espaciais ou territoriais de lado, quem foi que disse que a língua culta é a certa?
Bom...
Os estudiosos no assunto podem até discordar... tudo bem, mas o fato é que a língua é uma forma de comunicação e deriva de muitas influências daqui e dali. uestões culturais. Usar termos diferenciados em cada região do país ou do mundo, dentro de seus "contextos" apenas confirmam esta hipótese. Todos entendem e compreendem no final das contas. Apenas existem espaços para estas formas "diferentes" de falar. O internetês, com o seu eme-esse-enenês... mas este so poderá ser usado na internet. Os quadrinhos, poesias, narrações, descrições e tantos outros... gêneros ou modos de se expressar? Se me entenderem está bom. A verdade é que no "jogo" das palavras não é fácil brincar com os significados a fim de se fazer compreender. Mas é super poder usar destes recursos da língua para manifestar o que, não raramente, a língua culta jamais alcançará. E tenho dito. Agora voltemos ao quarto... hehehehe.

Raquel disse...

O problema é quando não entendemos...
Quanto ao quarto, não, não foi isso que eu quis dizer. heheheheeh

aline. disse...

¬¬

Dagmar disse...

Ahhh nemmm! Como dizem por aqui...
Entra no Blog Bolachinhas e dá uma olhadinha na receita mineira de "Môi di Repôi nu ài iói"... é um bom exemplo ilusrrativo. Beijos