Ontem, tive uma manhã incomum. Além de ter dormido menos que o normal, precisei acordar mais cedo. Até aí, tudo tranqüilo (e o sono pegando). Desci do trem, como sempre e fui até a parada de ônibus. A fila já estava razoável. Vá lá, já teve dias piores.
Beeeeem piores. Decidi me perder nos meus pensamentos ouvindo
Beatles. Solzinho da manhã batendo, a galera esperando os ônibus e... “hum, aquela mulher parece estar reclamando de alguma coisa”. Tirei um dos fones. Era sobre a demora do ônibus. “Realmente, já estou esperando aqui há um bom tempo.”
A fila atrás de mim já tinha aumentado consideravelmente e nada do ônibus. A mulher, indignada, falava com os outros passageiros em potencial: “eles dizem que a gente não reclama! Ta tudo bom!”, comunicava. “Mas, quando a gente liga, fica na espera um tempão”, argumentava. E assim, repetia estas informações para quem quisesse ouvir.
Como me compete minha calma, não respondi, mas fiquei pensando naquilo. Não é a primeira vez que aquela linha atrasa, estraga, nos deixa na mão. “Seria eu omissiva?” Segundo o funcionário da empresa,
está tudo bem porque ninguém reclama. Se as pessoas reclamassem, eles teriam que resolver o problema. Pensei, então, que
também era minha culpa o atraso do ônibus.
Peraí! Tem alguma coisa errada, não?
Primeiro, a falta de reclamação não significa que tudo esteja bem. As pessoas não reclamam de todas as lojas que não gostam. Simplesmente, param de freqüentar. Claro que, neste caso, não temos muitas opções: ou pegamos esta linha, ou outra. Afinal, precisamos trabalhar.
Segundo, e, talvez, mais importante: se a empresa se propõe a oferecer ônibus em tais horários, é sua responsabilidade cumprir estes horários.
Por que temos que reclamar pra que isso aconteça? Por que temos que pedir que ela cumpra sua obrigação?Depois de 25 minutos esperando (felizmente, não chovia. Porque se chovesse, além de atrasada, chegaria molhada), o ônibus chegou e levou aquela gente pro trabalho. Ainda rolaram uns boatos de que a Av. Dique estaria fechada novamente pra mudança das famílias (mas, isto é assunto pra outro post). Não estava. Ainda bem, senão teria me atrasado mais do que meia hora para o serviço.
Então,
não está tudo bem. Nem pra mim, nem na empresa. Se a Volkswagen ficasse esperando as reclamações dos clientes para cumprir o que se dispõe a oferecer, talvez não tivesse mais clientes. É preciso estar à frente das reclamações. Se não, outra empresa leva os clientes.
Assim, vejo uma solução para o problema dos ônibus: autorizar outra empresa a oferecer o serviço na cidade. Talvez com a concorrência fazendo as mesmas linhas, eles seriam obrigados a melhorar o serviço e, talvez, até diminuir o preço da passagem (tomara!).
Não acho uma boa solução, porque
trata dos sintomas e não das causas. Mas, o problema real me parece tão mais complexo e profundo que me desanima perceber que pode não haver solução.